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Cinema

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Esporte, Downloads, Humor, Forum, Ganhe Dinheiro, Loterias, Cinema, Lcds, Joias, Concursos, Celulares, DVDs | Comentario | 22.01.2008 19:45

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Michael Bay produz remake de “A Morte Pede Carona”

O clássico cult de suspense dos anos 1980 ganha uma nova roupagem num remake que estréia nesta sexta-feira no país, produzido por Michael Bay e dirigido por Dave Meyers, que até agora só assinava videoclipes.O longa traz em seus papéis principais Sean Bean (”O Senhor dos Anéis — A Sociedade do Anel”), Sophia Bush (da telessérie “Nip/Tuck”) e Zachary Knighton (”Um Príncipe em Minha Vida”).

Como todo filme do gênero e cujo público alvo é formado por jovens, “A Morte Pede Carona” traz dois heróis juvenis. Grace Andrews (Sophia) e Jim Halsey (Knighton) estão numa viagem de carro e têm de lidar com um psicopata sanguinário, chamado John Ryder (Bean), a quem quase atropelam na estrada numa noite de chuva.

Grace fica com medo do que possa ter acontecido com o homem e pede para Jim não sair do carro. Mais tarde, reencontram Ryder pedindo carona e o deixam entrar no carro, sem saber do perigo que correm.

Se num primeiro encontro o casal mantém um contato tenso com Ryder, mas consegue se defender, com o tempo o homem misterioso revela-se um verdadeiro psicopata e vai envolvê-los numa rede de crimes, perseguindo-os incansavelmente e testando seus limites. Não demora para que a própria polícia confunda o casal com o responsável pelos verdadeiros assassinatos.

Porém, um tenente mais esperto, vivido por Neal McDonough (”A Conquista da Honra”), vê que nem tudo faz sentido e decide investigar o caso melhor, acreditando na inocência dos jovens.

Diferentemente da versão original, na qual o psicopata era interpretado pelo holandês Rutger Hauer, aqui o inglês Bean faz um personagem mais humanizado e com dúvidas existenciais — ao contrário da máquina de matar do filme de 1986.

O remake de “A Morte Pede Carona” é o quarto longa produzido pela Platinum Dunes, empresa de Bay (diretor de “Transformers”), Andrew Form e Brad Fuller.

As três primeiras produções (”O Massacre da Serra Elétrica”, “Horror em Amityville” e “O Massacre da Serra Elétrica: O Início”) também são baseadas em filmes de sucesso.

A empresa parece estar se especializando nesse filão, pois prepara para os próximos anos uma seqüência da série “Sexta-feira 13″ e o remake do clássico do suspense “Os Pássaros”. Não por acaso, uma das personagens de “A Morte Pede Carona” assiste a esse filme de Alfred Hitchcock na televisão, dando uma pista do que vem por aí.

Cinema | Comentario | 24.08.2007 5:29

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“Os Simpsons - O Filme” mantém piadas

 O que os fãs desse seriado de TV que inovou as animações para adolescentes e adultos esperavam, aconteceu. “Os Simpsons - O Filme”, cuja versão para o cinema chega nesta sexta-feira a salas em todo o país, mantém o pique, com uma sucessão de piadas ininterruptas que não deixam o clima cair. Igualzinho a na TV.Como nos filmes inspirados em histórias em quadrinhos, cujos roteiristas e diretores pisam sempre em ovos para não descontentar os fãs, a versão de “Os Simpsons” para o cinema não alterou o modelo original. Como no futebol, não se mexe em time que está ganhando. Aos cinemas brasileiros chegam cerca de 400 cópias dubladas e apenas 20 legendadas.

E os Simpsons entram em campo no cinema com todos os seus titulares. A história brinca com coisas sérias, como é costume nos episódios de TV, com algumas pitadas de humor politicamente incorreto e muita crítica ao comportamento do americano médio, mostrado como é alienado e egocêntrico.

No filme, o tema é a ecologia. Springfield, um microcosmo dos Estados Unidos, é uma cidade em que seus habitantes pouco se importam com o meio ambiente, de Homer Simpson até o mais desconhecido freqüentador do Bar do Moe. Claro que há uma exceção: a doce Lisa, aluna exemplar e fã do saxofonista John Coltrane, sempre engajada em campanhas ecológicas bem-intencionadas.

No filme ela encontra um parceiro que é sua alma-gêmea, um menino irlandês que se mudou para a cidade. Mas o garoto logo esclarece: ele não é filho de Bono, o vocalista da banda U2, ativista das causas politicamente corretas.

As duas crianças estão preocupadas com a preservação do lago da cidade, cujo excesso de poluição ameaça transformá-lo em uma bomba capaz de afetar o clima do país. Com muita dificuldade, ambos conseguem convencer a cidade a se engajar numa campanha de limpeza. Mas a ação fracassa graças a um membro de sua própria família, seu pai atrapalhado.

Homer, que decidiu adotar um porco como animal de estimação, lança no lago um verdadeiro contêiner contendo os detritos produzidos pelo animal. Era o que faltava para que as águas começassem a produzir peixes mutantes, com dezenas de olhos. O alarme é dado e chega à Casa Branca, onde Arnold Schwarzenegger, um presidente tão atrapalhado quanto Homer, decide isolar a cidade do restante do país, cobrindo-a com uma cúpula. Se Homer foi o causador da tragédia, terá agora de salvar a cidade.

E as confusões se sucedem com Bart aprontando tudo o que tem de direito em algumas seqüências bem divertidas, como o passeio de skate nu pela cidade, apenas para pagar uma aposta feita com o pai.

Cinema | Comentario | 24.08.2007 5:23

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‘Desperate Housewives’ mostra sexo no subúrbio

Em um recente fórum em Beverly Hills, patrocinado pelo Conselho Nacional das Famílias e Televisão, foi exibida uma filmagem divertida de um pequeno garoto explicando, da melhor forma que podia, o conteúdo da “dramédia” de sucesso da rede ABC, “Desperate Housewives” (Donas de Casa Desesperadas).

“É sobre estas esposas… um dia, elas amam estas pessoas e alguns dias depois elas matam elas. Eu não acho que pais deviam assistir isto”, ele alertou com preocupação. “Não faz bem para eles.”

Muitos estão se recusando a seguir o conselho do garoto. “Desperate Housewives” é o maior sucesso da rede em anos, revivendo a boa fortuna da ABC, que derrubou a antiga titã da audiência, a NBC, para o terceiro lugar entre a importante faixa demográfica para a publicidade de 18 a 49 anos durante o mês de novembro.

O episódio mais recente (28 de novembro), no qual a intrometida do bairro foi despachada pela lâmina do liquidificador, atingiu a maior audiência da série até o momento, 27 milhões de espectadores, derrotando “CSI: Crime Scene Investigation” e se transformando no programa de maior audiência da semana.

De fato, a audiência na faixa demográfica do programa, a idade entre 18 a 49 anos, naquela noite superou as audiências somadas da faixa demográfica das outras redes no mesmo horário das 21 horas.

Sem causar surpresa, a seguindo a noção clássica de Hollywood de que “ninguém sabe nada”, o roteiro do piloto da série, de autoria do criador Mark Cherry, foi rejeitado pela CBS, NBC, Fox, HBO, Showtime… e até mesmo pela emissora Lifetime.

Ainda menos surpreendente, assim que a série se tornou sucesso, ela se tornou controversa, como a garota propaganda do recente debate dos “valores morais”, Estados vermelhos (republicanos)/Estados azuis (democratas), da eleição presidencial.

A atenção ao programa cresceu exponencialmente depois que Nicollette Sheridan, que interpreta a vadia de plantão da série, exibindo (ou deixando de exibir) trajes geralmente reservados para comerciais de produtos de banho, ofereceu seus talentos particulares ao astro do Philadelphia Eagles, o jogador Terrell Owens, durante a apresentação do “Monday Night Football”. Após uma campanha de cartas negativas, a série desfrutou de suas maiores audiências.

Cherry, não disposto a filosofar sobre o “zeitgeist” [espírito do tempo], recusou-se a fazer comentários para este artigo. Mas Stephen McPherson, presidente da ABC Entertainment, comentou sobre a entrada triunfal da série nas guerras culturais: “Estão fazendo muito barulho em torno disto. É um programa incrivelmente divertido. Apresenta grande comédia, grande drama, grande mistério e grande intriga. Qualquer idéia de que esta é uma série controversa presta um tremendo desserviço a este programa divertido”.

Cynthia Willman dirige seu negócio de cestas de presentes/livros de sua casa em Eagle Rock para permanecer perto de sua filha pequena, mas ela faz seu marido colocar a filha na cama aos domingos para que possa assistir a série.

“É um pouco embaraçoso admitir que ‘Desperate Housewives’ é um horário obrigatório de TV para mim. Há pessoas bonitas de se olhar. Há uma espécie de aspecto trapalhão, e há também um aspecto sombrio, e ambos me tocam. Estas podem ser as palavras que me definem, e a justaposição destes elementos torna a série enormemente divertida.”

Suzanne Lauer, uma executiva de pós-produção solteira que vive em Valley Village, concorda, sugerindo que a série mistura os melhores elementos de “Sex and the City” e “Twin Peaks”.

“Há um mistério divertido e grandes personagens. Eu adorava ‘Twin Peaks’. Era inteligente e cheio de estilo, diferente de tudo que tínhamos visto. ‘Desperate Housewives’ preenche tal vazio e, em termos de personagens femininas, o vazio deixado por ‘Sex and the City’. É ótimo assistir estas mulheres interagindo… eu sinto falta do apoio, amizade e interação que via lá.”

Jessica Morgan, de Santa Monica, que escreve resumos semanais espirituosos de cada episódio para o site www.televisionwithoutpity.com, atribui seu sucesso a uma confluência fortuita de fatores.

“Ela estreou bem no início do outono, enquanto não havia nada na HBO, de forma que conseguiu atrair muitos espectadores que caso contrário a teriam ignorado. Também acho que os gostos são cíclicos, e ela apareceu no momento certo. As pessoas estão abertas novamente para novelões. Os espectadores apreciam os diálogos ágeis e espertos; as atuações são muito boas e possui valores de produção fantásticos.”

“Valores morais”

Há um debate consideravelmente menor sobre as contribuições sociais da série, apesar de isto ter se tornado o tema favorito dos críticos, particularmente quando se trata da atividade sexual dos personagens. (A ansiedade-depressão dos personagens infelizes no casamento raramente é mencionada em tais discussões.)

“Nesta última eleição, a sexualidade se apossou de toda a noção do que ‘valores morais’ representam”, notou Bob Thompson, diretor fundador do Centro para o Estudo da Televisão Popular da Universidade de Syracuse. “Apesar de a maioria dos pensadores filosóficos concordar que há coisas mais importantes a serem discutidas, a sexualidade na mídia parece ter se tornado um dublê para os valores morais.”

Após a divulgação de que uma parcela considerável dos eleitores considerou “valores morais” como sua maior preocupação na última eleição presidencial, histórias subseqüentes notaram que o comportamento ruim das “Desperate Housewifes” atraía tantos espectadores dos Estados vermelhos quanto dos azuis, se não mais.

Frank Rich do “The New York Times” destacou: “É um sucesso ainda maior em Oklahoma City do que em Los Angeles, maior em Kansas City do que em Nova York” [NY e LA são cidades fortemente democratas; as outras são republicanas –conservadoras].

Isto ocorreu, é claro, antes de Rich –e, mais persuasivamente, Louis Menand da “New Yorker”– revelar que os pesquisadores se equivocaram na interpretação “valores morais” como sendo uma preocupação entre os eleitores.

“Nós temos todos os pontos de vista, mas basicamente busca-se ter apelo junto a uma ampla audiência”, disse McPherson da ABC. “Qualquer idéia que possamos ter –a badalação, a divulgação– é negada pelo que a América pensa. Os espectadores são os eleitores.”

A série, de fato, oferece bastante motivo para discussão. Os diversos murais do site www.televisionwithoutpity.com debatem tudo sobre “Desperate Housewives”:

Trama: “Mike no funeral da Mary Alice: por quê? Ninguém conhecia ele. (…) Velórios ruidosos? Não, não, não. Isto não é uma festa de boas-vindas, amigo”.

Criação de filhos: “Ter um segundo filho aumenta o nível de barulho/destruição… em três ou quatro vezes. Este é o motivo de minha filha em idade universitária ter dito que só terá um filho. Se a primeira criança for uma menina, ela terá outra, mas se for um menino, ela vai parar!”

Moda: “Todas nós garotas com olhos verdes sabemos que verde é a cor a vestir, mas os figurinistas continuam colocando Bree neste tom específico e fica simplesmente lindo, especialmente aquele suéter de gola careca. Mmm!”

Saiba quem é quem

Para os que desconhecem, “Desperate Housewives” espia atrás das cortinas de cidadãos ricos da suburbana Wisteria Lane (que soa, intencionalmente, como “alameda da histeria”). A série é narrada por Mary Alice Young (Brenda Strong) que, minutos após o início do primeiro episódio, comete suicídio.

Os membros restantes dos encontros sociais do bairro ficam tentando entender sua morte aparentemente sem sentido e se embaraçando em suas próprias existências miseráveis.

Lynette (Felicity Huffman) sacrificou uma carreira de grande poder para servir como uma mãe que fica em casa, oprimida por seus quatro filhos hiperativos; ela recentemente ficou viciada no Ritalin prescrito para eles.

Bree (Marcia Cross), uma mistura de esposa de Stepford e Martha Stewart que é virulentamente viciada em fornecer uma vida ideal anti-séptica para sua família, sofre com a rejeição de sua família ao seu perfeccionismo desenfreado –seu marido quer o divórcio, seu filho adolescente se tornou um sociopata.

Gabrielle (Eva Longoria) alivia a dor de um casamento sem amor com um sujeito bem-sucedido, mas viciado em trabalho, envolvendo-se com seu jardineiro pouco mais que adolescente.

E a mãe solteira e divorciada Susan (Teri Hatcher), aparentemente “vencendo” a feroz concorrência com a promíscua do bairro, Edie (Nicollette Sheridan), recentemente foi para a cama com o viúvo Mike (James Denton), que é novo em Wisteria Lane e que ostenta um enorme armário no quarto cheio de esqueletos. Enquanto isso, os segredos em torno da família de Mary Alice fazem Mike parece um sujeito normal.

Cinema | Comentario | 22.08.2007 19:58

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John Travolta se delicia no papel de cinqüentão

John Travolta, que já ostenta cabelos brancos, fez 50 anos em fevereiro passado de 2004. E está com péssima aparência, barba por fazer, fora de forma e mancando. É claro, estamos falando do ator como ele aparece em seu último filme, “A Love Song for Bobby Long” [Uma canção de amor para Bobby Long].

Na vida real, o cabelo de Travolta continua escuro, seu peso às vezes oscilante está do lado equilibrado, e até onde podemos dizer todos os seus membros estão saudáveis. Mas o antigo destruidor de corações de “Embalos de Sábado à Noite”, “Grease - Nos Tempos da Brilhantina” e “Welcome Back, Kotter” (na TV) admite que o aniversário foi mais que um pouco traumático.

“Falando francamente, não foi fácil para mim”, disse Travolta. “Eu tive uma festa magnífica e ouvi muitos elogios, mas também poderiam ser considerados como ‘Eles estão achando que eu vou partir?’ (risos). Veja, aos 40 eu podia fingir que era um velho, sabendo que na verdade não era. Como ao dizer: ‘Oh, você não quer beijar um velho’, fazer essas coisas que refletiam de maneira charmosa num quarentão. Mas então cheguei aos 50 e não posso mais brincar com isso! Tenho de admitir uma certa idade real que eu nunca quis atingir. Então não foi a coisa mais fácil, mas estou superando.”

Uma coisa boa de envelhecer, diz Travolta, é poder fazer papéis de sua própria idade, ou mesmo um pouco além dela.

É claro que Travolta sempre fez o que quis. Sua chegada ao superestrelato no final da década de 70, embora tenha sido alimentada por musicais que agradavam principalmente às mulheres, também incluiu os filmes de suspense de Brian De Palma (”Carrie, a Estranha”, “Um Tiro na Noite”).

Seu retorno à credibilidade com “Pulp Fiction - Tempo de Violência”, depois de uma década de filmes de bebês falantes ou coisa pior, se equilibrou nos últimos dez anos entre projetos comerciais bacanas (”O Nome do Jogo”; “Broken Arrow - A Última Ameaça” e “A Outra Face”, de John Woo), produtos populares medianos (”Fenômeno”, “Michael - Anjo E Sedutor”, “A Filha do General”, “A Senha - Swordfish”), trabalhos prestigiosos/artísticos (”A Qualquer Preço”, “Segredos do Poder”, “Loucos de Amor”) e fracassos (ainda não conseguimos entender um astro da magnitude de Travolta se dispondo a fazer “Bilhete Premiado”, “Inimigo em Casa” e o horrível “A Reconquista”, um tributo a seu amado L. Ron Hubbard, fundador de sua fé, a cientologia).

Mas Travolta gosta de salientar que, em seus últimos quatro trabalhos, fez um vilão de história em quadrinhos em “O Justiceiro”, um corajoso chefe de bombeiros em “Brigada 49″, um urubu da cultura sulina em “Love Song” e novamente o gângster hollywoodiano Chili Palmer de “O Nome do Jogo”, na seqüência “Be Cool”, com lançamento marcado para março.

“Tenho muito mais experiência de vida para dar”, diz o ator. “São quatro personagens diferentes que eu não poderia ter feito se fosse mais jovem. Preciso ter a idade que tenho para fazer esses papéis. A idade dá uma grande liberdade de escolha.”

Bobby Long

Desse quarteto, Bobby Long é claramente o mais próximo do coração de Travolta. Baseado no romance “Off Magazine Street”, de R.E. Capps, com roteiro e direção do estreante em longa-metragem Shainee Gabel, “Love Song” mostra a lenta e mal-humorada redenção do ex-professor de literatura Long, que está numa antiga bebedeira com seu “biógrafo”, Lawson Pines (Gabriel Macht), em um hotel decadente de Nova Orleans que já foi propriedade de uma cantora morta recentemente, compaheira de bebida e talvez namorada de Bobby.

Mas quando a filha adolescente e distante dela, Purslane (Scarlett Johansson), aparece e reivindica a propriedade, tem um efeito profundo sobre os dois velhos bêbados. Infelizmente no início, mas talvez exatamente do que eles precisavam para colocar suas vidas em ordem antes que fosse tarde demais.

“A voz do sul não foi muito explorada desde os anos 60, com Williams, Inge, Faulkner, Capote”, disse Travolta. “Foi animador ver uma volta a esse tipo de personagem e de história que lhe permite ser pobre e romântico. Minha frase favorita do filme é quando Scarlett diz: ‘Os livros são melhores que a vida. É por isso que eles são livros. Você não sabe disso? Qualquer idiota sabe disso’. Eu adoro, porque é indicativo da maneira como ele viveu a vida. Ele quase sabe demais e leu demais para ter um sentido de sua própria realidade.

“É realmente tudo o que eu quero fazer como um ator que envelhece, mas raramente surge a oportunidade”, continua Travolta. “É o tipo de trabalho que Geraldine Page ou Paul Newman tiveram a possibilidade de explorar e que hoje em dia simplesmente não é possível. Não sei por quê, mas parece que a tendência dos textos não foi na direção dos clássicos. Esse é um filme muito importante, na minha opinião, porque convida as pessoas a serem literárias novamente.”

Além de muito diálogo suculento e poético, “Love Song” também deu a Travolta a liberdade de imagem que ele não teve desde… bem, desde que encarnou o alienígena maligno em “A Reconquista”.

“É divertido porque você tem liberdade para deixar fluir com um personagem”, ele diz. “Você não precisa ser vaidoso ou consciente da maneira como aparece ou se comporta. Bobby é um cavalheiro sulino de boas maneiras. Mas ao mesmo tempo é um lascivo e um malicioso. Todas essas coisas entram em jogo, mas principalmente é divertido deixar fluir e relaxar com um personagem e não ter de se preocupar com a aparência.

“Em um grande filme você não poderia fazer isso por motivos óbvios. Você está correndo um risco, mas é melhor corrê-lo com uma coisa bem escrita do que em algo que não vai dar certo”.

Travolta ficou tão feliz por conseguir um papel como o de Bobby Long que nem se queixou por ter de filmar em uma casa sem ar-condicionado no auge do verão sufocante da Louisiana. E isso de um sujeito que já foi acusado de recusar projetos quando o salário de seu cozinheiro pessoal ou o combustível para seu jato particular não eram incluídos no orçamento.

“É muito fácil desenvolver uma química com John, porque de muitas maneiras ele é um artista muito generoso”, confirma o co-astro Gabriel Macht. “Ele é um desses caras que realmente querem que todo mundo se sinta bem, fique à vontade e sinta que tem algo a dizer para ser livre e espontâneo, e depois ser vulnerável.”

Flórida

Como sempre, Travolta credita os aspectos positivos de sua personalidade, como enfrentar melhor os 50 anos, a seus estudos de cientologia. Mas ele também atribui ao fato de viver metade do ano perto da cidade de Ocala, na Flórida, que o mantém feliz e sadio.

Travolta, sua mulher, a atriz Kelly Preston, e seus dois filhos pequenos moram numa comunidade “fly-in” [de pessoas que possuem e se deslocam em aviões], em uma casa que o próprio ator projetou, com rampas de acesso dos dois lados para seus aviões Gulfstream e Qantas 707.

“Em termos de comunidades ‘fly-in’, são as melhores nesta parte do mundo”, explica Travolta, que também possui casas em Maine e Brentwood.

“E é um lugar ideal, porque em Clearwater (a meia hora de vôo) existe muita cientologia, por isso passo muito tempo lá de qualquer maneira. Eu construí essa casa única, onde posso estacionar os aviões bem ao lado.”

Quando questionado “por que a Flórida?”, Travolta dispara motivos como esportes aquáticos, fãs de aviação, corridas de carro, os parques temáticos, o clima, o mar.

“Não importa quem você é –se você não encontrar algo para fazer na Flórida, não pode encontrar nada para fazer. Eu adoro, porque lá vivo uma vida melhor. Faço outras coisas, não faço apenas show-business e casa.”

Não parece alguém que está se sentindo muito velho e cansado. Na verdade, Travolta afirma que quando o encontrarmos na próxima vez, como o esperto e empreendedor Chilly Palmer, “será o oposto de meu visual neste filme; sim, completamente”.

Cinema | Comentario | 22.08.2007 19:56

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Estrela Sandra Bullock está de volta formidável

Quando a encontramos pela última vez, a agente do FBI Gracie Hart tinha acabado de salvar o concurso Miss USA, embonecada para parecer uma candidata viável, fez muitos novos amigos e atraiu o afeto do colega agente Eric Matthews. “Miss Simpatia”, com Sandra Bullock estrelando no papel de Gracie, faturou cerca de US$ 106 milhões nas bilheterias apenas nos EUA.

Com cerca de dez minutos da seqüência, “Miss Simpatia 2 - Armada e Perigosa”, que estreou nesta quinta-feira (17/03) nos Estados Unidos, a nova celebridade de Gracie a obriga a abandonar seu trabalho como agente secreta.

E pior, ela fica sem namorado. O agente Matthews desaparece e não é substituído, e Gracie tropeça numa espécie de relação de amor e ódio com sua guarda-costas durona e parceira Sam Fuller (interpretada por Regina King).

Epa! Vamos repetir: uma comédia de um grande estúdio, estrelada pelo protótipo da garota que mora ao lado, Sandra Bullock, em que seu personagem é infeliz no amor e não termina com o mocinho.

Isso existe? Pode apostar suas flores murchas e bombons estragados do Dia dos Namorados, diz a produtora, Sandra Bullock.

“Para começar, não era uma comédia romântica”, diz Bullock, que produziu “Miss Simpatia 2″, assim como o filme original, por meio de sua produtora, Fortis Film. “Quero que as mulheres sejam capazes de fazer as mesmas coisas que os homens nas comédias e dizer: ‘Isso é uma comédia’. Por que sempre tem de ser uma comédia romântica? Por que a garota tem de ficar com o cara? Por que não pode ser um ‘filme de amigos’?”

Como é ela quem manda, as respostas para as últimas perguntas parecem ser: “Ela não fica” e “Pode”.

“Sandy é muito inteligente e sabe o que já fez”, diz Enrique Murciano, que faz um agente do FBI bonitinho com quem Gracie Hart não se envolve romanticamente. “Acho que ela pensou: ‘É uma ótima oportunidade para fazer um filme de amigos’. Acho que ela reconheceu essa oportunidade e a perseguiu.”

Benjamin Bratt, Michael Caine e Candice Bergen –que participaram da primeira versão– estão ausentes da seqüência, mas Heather Burns, Ernie Hudson e William Shatner continuam.

Apesar de não ter romance, “Miss Simpatia 2″ certamente é uma comédia. Além de Bullock e King quase se matarem constantemente, a história –ambientada principalmente em Las Vegas– apresenta figurinos incríveis, uma estilista pessoal exagerada (interpretada por Diedrich Bader), piadas e muitas perseguições. Mais importante para os objetivos da estrela/produtora, o filme também tem algo a dizer.

“Acho que é uma mensagem importante para qualquer pessoa que se sinta deslocada, única ou que não pertence às massas”, diz Bullock. “O que é normalidade? Isso não existe. A sociedade está tentando nos controlar como gado. Todos podemos viver juntos e ter opiniões diferentes.”

Bullock –”Sandy” para o elenco e equipe do filme– está usando um casaco pesado sobre jeans. Folheando uma brochura em um hotel elegante de Beverly Hills, a nativa de Washington (DC), hoje com 40 anos, murmura: “É bom saber onde você pode comprar relógios Christian Dior, se desejar. Eu não desejo. Mas tudo bem, vou guardar isto”.

Dizendo que não é uma “boa celebridade”, Bullock conduz as tarefas promocionais de seu filme com graça e humor. “Miss Simpatia 2″ é seu primeiro papel desde “Amor à Segunda Vista” (2002), que faturou US$ 200 milhões e que ela também produziu.

Seus próximos projetos incluem um papel atípico no conjunto de “Crash”, para o autor e diretor Paul Haggis (que escreveu “Menina de Ouro”) e interpretar Nell Harper Lee no filme “Every Word Is True” sobre tema de Truman Capote. Ela também vai se reunir com seu astro de “Speed”, Keanu Reeves, no próximo “Il Mare”.

Nos bastidores, Sandra Bullock foi produtora-executiva de “The George Lopez Show” desde o início, fazendo ocasionalmente uma aparição como convidada. Ela doou recentemente US$ 1 milhão para o socorro às vítimas do tsunami. Quando se fala em filantropia, ela simplesmente diz: “Eu podia”.

“Eu adoro o trabalho”, ela diz. “O resto não sei muito bem como lidar, e não faço bem. Eu não faço as coisas que dariam uma boa celebridade. Fico irritada quando as faço. Eu penso: ‘Isso não tem a ver com o trabalho’. Mas preciso lembrar que tem a ver com o trabalho. Eu o estou promovendo, mas não sinto que vou contribuir promovendo uma coisa que não tem a ver com o trabalho.”

Segundo seus colegas atores e o diretor John Pasquin, Bullock é uma produtora “mão na massa”, envolvendo-se desde a locação até a escolha da trilha sonora e do elenco, reescrevendo e até editando, “até que a tranquei fora da sala”, brinca Pasquin.

“Ela tem uma opinião, não tem medo de expressar sua opinião, mas não é dogmática”, diz Pasquin (”Meu Papai É Noel”, “Jungle 2 Jungle”), que assumiu a função do diretor original de “Miss Simpatia”, Donald Petrie. “Ela é o dinheiro e é o motivo pelo qual as pessoas vão ver o filme, por isso é importante. Certamente todo mundo na Warner e na Castle Rock acham que é melhor escutar o que ela diz.”

“É o meu trabalho. Faço o que um produtor faz”, retruca Bullock sobre um trabalho cujos deveres ela adora: selecionar, delegar, ficar obcecada sobre canções que não se encaixam bem ou o som que poderia ser mais engraçado.

“Três semanas atrás estávamos na dublagem final, tentando acertar a música, e chegamos ao último trecho deitados no chão”, ela diz. “Eu gosto desse processo do drama e como o destrinchamos.”

Antes de ser atriz, disse Bullock –filha de um treinador de voz e uma cantora de ópera–, ela gostava dos elementos técnicos da apresentação teatral. “Eu fazia teatro na escola e sempre ficava no lado técnico. Era preciso fazer isso. Quando você não conseguia um papel, trabalhava na iluminação.”

Muitos anos depois, é claro, Sandra Bullock parece estar com múltiplas tarefas, mas diz que produzir tem tudo a ver com saber delegar, contratar as melhores pessoas –incluindo as que fazem a estrela/produtora brilhar mais– e deixá-las fazer seu trabalho.

Isso também vale para a escolha do elenco. Desde o início Bullock diz que procurava um parceiro igual para ajudar Gracie a carregar o filme. Ela o encontrou na alma gêmea King (”Ray”, “Jerry Maguire”). Assim, Fuller faz uma imitação de Tina Turner para ter acesso a um camarim importante, com Gracie/Bullock usando uma roupa de corista e dançando ao fundo.

“Ela é uma pessoa corajosa”, disse King. “Ela permite que outra atriz entre e não se sente intimidada. Gosta de contar uma boa história, e não é do tipo ‘Eu quero brilhar’. Ela é do tipo: ‘Eu sou a produtora. Meu nome está acima do título. Se fizer um bom trabalho e garantir que tudo no filme seja bom, então eu sou melhor’.”

Moda, Forum, Mulher, Cinema | Comentario | 22.08.2007 19:37

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Estréia “Palíndromos”, o novo filme perturbador de Todd Solondz

Os filmes de Todd Solondz nunca são fáceis.

“Happiness” (Felicidade, 1998) trazia um pedófilo simpático; já “Storytelling” (Histórias Proibidas, 2001) mostrava horríveis conflitos de família e étnicos, enquanto “Welcome to the Dollhouse” (Bem Vindo á Casa das Bonecas, 1995) tinha uma princesa “geek” (nerd e viciada em informática) encarnada por Dawn Wiener, entre outros elementos irritantes. Solondz maneja os seus temas explosivos com um humor malicioso, mas, ao mesmo tempo, quase sempre o cineasta mostra estar preocupado com a necessidade de examinar em profundidade as questões abordadas nos seus filmes e o preço emocional que os seus personagens atordoados pagam ao lidarem com elas.

O filme mais recente deste escritor-diretor, “Palindromes” (Palíndromos, ou seja, palavras, números ou frases que podem ser lidos indiferentemente da esquerda para a direita ou vice-versa - ex: Amor / Roma) trata da gravidez na adolescência e do aborto, da primeira com certa compaixão, do segundo com um poderoso desprezo pelos dois desfechos possíveis da questão.

Contudo, por baixo do sensacionalismo que predomina na superfície, há uma vontade subjacente de questionar precisamente o conceito de “escolha”, e, em particular, se pessoas muito novas seriam ou não capazes de exercê-la apropriadamente.

Solondz vai tão longe nesta questão que ela acaba tornando-se pura provocação. E não há dúvida de que ele a teria aprofundado ainda mais se a sua escolha artística chave não chamasse tanto a atenção.

Nossa personagem central, Aviva Victor, de 13 anos, é encarnada por sete atores de tamanhos, raças, idades diferentes e, num caso, do outro sexo. Jennifer Jason Leigh e Sharon Wilkins são duas mulheres adultas que descrevem Aviva; os atores mais novos que atuam no papel desta personagem, e cujas idades variam de 6 a 14 anos, são todos novatos na profissão.

De maneira notável, Solondz consegue extrair uma personagem consistente da atuação dos seus numerosos intérpretes. Ainda assim, a estranheza da representação acaba amenizando o seu trauma, e, pela primeira vez num trabalho de Solondz, algo semelhante acontece também com o filme como um todo.

Aviva é um doce de menina sedenta por amor cujo único objetivo é ter um filho. Quando ela fica grávida, os seus pais, um casal de suburbanos do New Jersey (Ellen Barkin e Richard Masur), insistem vivamente para que ela dê um fim nisso. Pouco disposta a se deixar dissuadir de realizar o seu sonho, Aviva pega a estrada em busca de um novo pai que queira recebê-la.

Naturalmente, no decorrer da busca picaresca que motiva a sua escapada, ela cruza com uma galeria de personagens típicos do universo de Solondz, repleta de indigentes carentes e de cruéis aproveitadores. A parada principal na aventura de Aviva tem por nome Sunshine residence (residência Sol que brilha), onde Mama (Debra Monk) transformou uma dúzia de meninos fortemente necessitados que ela adotara, em integrantes de uma banda pop devotada à celebração de Jesus, enquanto o homem da casa (Walter Bobbie) trama o assassinato de médicos que praticam abortos. Nem é preciso dizer que Aviva, ao conhecer este homem, se convence de que ele é a sua alma gêmea, no que ela comete um patético engano.

Como sempre com Solondz, o humor zombeteiro vai crescendo até alcançar extremos, transformando-se num autêntico desprezo por muitos dos personagens, e então passa alegremente dos limites. Contudo, de maneira bastante surpreendente, ele põe em evidência sentimentos pungentes, muito humanos, em muitos deles. Ainda assim, tudo isso transmite a impressão de que ele está atirando em alvos fáceis demais, por mais que se reconheça o fato de que Solondz aborda os dois lados do debate sobre o direito de viver com uma indiferença bastante equilibrada.

No que diz respeito ao título do filme, Aviva, as muitas formas que esta personagem adquire sugerem que Solondz a considera emblemática das mulheres em geral, ou até mesmo do ser humano, que enfrentam imensas dificuldades quando precisam lidar com a necessidade de amor e com a ubiqüidade da vigilância que paira sobre elas. Embora ele o utilize de maneira espetacular (no que ele realiza uma verdadeira proeza), o truque não torna nem a história nem seu significado, tão bons assim.

Alexander Payne, o diretor de “Sideways - Entre Umas e Outras” (2004), já havia abordado a mesma questão por meio de um humor igualmente corrosivo no seu primeiro filme, “Citizen Ruth” (”Ruth em Questão”, 1996). Apresentando a sua visão de maneira bem mais convencional se comparado com Solondz, Payne desfechava naquele filme socos culturais precisos que tinham endereço certo e acabavam em sangue. “Palíndromos”, por sua vez, nos faz esfregar a cabeça num ponto que parece ser uma picada dolorida de pernilongo.

Por certo, o diretor Todd Solondz é excêntrico e controverso, mas é justamente isso que o torna interessante.

Primeiro objetivo: mantenha-se em vida. Segundo objetivo: Evite humilhações.

Então, faça um outro filme, mais um, e assim por diante.

“Estou com sorte por ter feito isso e por ter sobrevivido até agora”, comenta Todd Solondz, o escritor-diretor de “Palíndromos”. “Com tudo o que eu faço, se eu consigo sobreviver à experiência e evitar humilhações, então isso quer dizer que estou me saindo muito bem e dou-me por satisfeito. O resto não tem importância”.

Claramente, estes são longe de serem objetivos dos mais elevados para um autor do tipo “você ama detesta” como Solondz, cujos filmes anteriores, “Bem Vindo á Casa das Bonecas”, “Felicidade” e “Histórias Proibidas”, examinaram sucessivamente adolescentes perseguidos (e perseguidores), pedófilos até que simpáticos, e os membros miseráveis e deprimidos da várias famílias que formavam uma verdadeira galeria de deficiências humanas.

Por outro lado, independente de ele ser ou não popular, Solondz conhece profundamente o seu produto.

“Certas pessoas me perguntaram: ‘Você gostaria de tentar fazer um filme que seria mais popular e que disporia de um orçamento bem maior?’. Pois eu simplesmente não consigo pensar nesses termos”, diz. “Isso porque qualquer um dos meus filmes pode faturar, nas bilheterias, US$ 10 milhões, US$ 20 milhões ou US$ 50 milhões. Dou-me por satisfeito se eles rendem um bom dinheiro, mas isso não fará de mim uma pessoa mais feliz. Neste momento, estes filmes estão sendo exibidos em praticamente todos os 50 Estados americanos e no mundo inteiro. Então, por que eu deveria me queixar?”

“Palíndromos”, cuja pré-estréia (nos Estados Unidos) está agendada para esta sexta-feira (22/04), é uma espécie de conto de fadas, porém, de modo algum aconselhável para crianças. A busca de Aviva Victor que, aos 13 anos, está decidida a se tornar mãe é uma odisséia dos tempos modernos que explora diversas facetas do debate sobre o aborto.

Aviva é prima da heroína de “Casa das Bonecas”, Dawn Wiener, que, segundo informa o cineasta, cometeu o suicídio. Solondz também esperava poder contar com Heather Matarazzo, para um papel pequeno em “Palíndromos”, mas isso não foi possível.

O truque estranho, “palindrómico” mesmo deste filme, reside no seu elenco - ou seja, mais precisamente na distribuição dos papéis. Sete atores (seis meninas e mulheres, um menino) de diversas raças e idades encarnam Aviva. Eles se sucedem de uma cena à outra, e nunca retornam. A personagem continua a ter 13 anos ao longo da série de eventos de uma semana de duração que o filme retrata, mas Aviva adquire sucessivamente a forma de uma adolescente latina, de uma mulher negra já bastante crescida, de uma ruiva trajando um bocado de suspensórios, e até mesmo, numa cena, de Jennifer Jason Leigh.

“Quando utilizei uma menina negra para iniciar o filme - com Ellen Barkin no papel da sua mãe - eu o fiz porque eu precisava chamar a atenção do espectador para o fato de que algo diferente estava acontecendo ali”, explica Solondz. “Então, você a vê sob os traços de uma latina, e pouco depois ela se torna uma ruiva. Quando ela se torna uma negra avantajada, ela transforma-se em Gulliver ao lado dos homenzinhos da terra de Lilliput. E o filme traz outras referências aos contos de fadas”.

A partir do momento em que o espectador consegue acostumar-se com a estranha distribuição de papéis, Solondz acredita que ele consegue então encarar as questões morais levantadas pelo filme, sobre as conseqüências que resultam de certos atos. Os médicos que fazem abortos estão assumindo uma posição, assim como fazem as pessoas que tentam assassiná-los. Aviva - uma personagem que supostamente deveria ser “totalmente simpática” - encontra-se com os dois.

“Eu penso que, num nível profundamente humano, todos nós precisamos acreditar que estamos fazendo a coisa certa, e travando um combate justo”, diz Solondz, “e que mesmo que você esteja matando médicos que praticam abortos, você faz isso por achar que está salvando milhões de bebês que ainda não nasceram. Existe uma lógica em ação em tudo isso. Não é apenas uma coleção de casos problemáticos”.

“A decepção com si mesmo e o narcisismo são mecanismos de sobrevivência, e o meu objetivo não é de lhe dar a minha opinião, dizendo-lhe que a sua posição está certa ou errada, e sim de fazer com que você a reexamine e a questione à luz deste drama que eu pus em movimento”.

Decididamente, “Palíndromos” não pretende ser um filme político, prossegue Solondz, que salienta que ambos os lados poderiam reivindicar que o filme sustenta e conforta o seu ponto de vista. “Eu estou à procura de um público de mente aberta. É a única coisa que eu posso pedir”, diz. “Além disso, uma mente liberal certamente não é a mesma coisa que uma mente aberta”.

“Posso dizer com toda certeza que este meu filme tem sido exibido em festivais de cinema nos mais diversos lugares do planeta, e que em todos esses festivais, exibições especiais e tudo mais, sempre poderá haver algum cristão conservador para se manifestar. Você tem liberais que dizem que este filme é pró-vida, e ainda cristãos que me criticam em sites na Internet por ser pró-aborto. Eu manobrei no sentido de frustrar todo mundo”.

Ele pronuncia essas palavras sem transmitir qualquer sentimento de ironia. Todd Solondz, com rosto de criança e trajando roupas de cores vivas, gagueja e raramente cruza olhares com um entrevistador. Os modos do cineasta despontam como os de uma pessoa meio desajeitada, mas não parecem resultar de um sentimento de completo constrangimento.

Quando a equipe empreendeu uma turnê pelo circuito dos festivais para promover “Palíndromos”, Ellen Barkin, que encarna Joyce, a mãe de Aviva, disse ser ela - e não Solondz - a pessoa que constantemente aparecia como “a mais esquisita” do pedaço. “Palíndromos” foi exibido nos festivais de Nova York, Telluride (no Colorado) e Veneza, enquanto os filmes precedentes de Solondz haviam sido aclamados nos festivais de Sundance e Cannes.

E que ele seja ou não estranho, popular ou diferente, Barkin garante que ela nunca havia trabalhado com um diretor tão bom e que ela nunca havia sentido um orgulho tão grande por estar participando de um projeto.

“Para mim, foi simplesmente o máximo, o topo da montanha”, diz Barkin, “e eu não teria conseguido alcançar este nível sem o Todd. Ele é tão amável, bondoso, humano e sensível, além de ser capaz de intuir rapidamente tudo o que está acontecendo. Ele é um homem muito sensível, e eu acho que ele faz filmes muito sensíveis”.

Sensível? Um homem que faz filmes onde os personagens arrancam lágrimas uns dos outros de maneira sistemática e aviltante?

Absolutamente, responde Barkin.

“Aquela cena em ‘Felicidade’ na qual o fabuloso Dylan Baker está sentado no sofá com o seu filho, e que você se emociona profundamente pela sua situação”, exemplifica Barkin. “Ou neste filme quando Stephen Guirgis bate a sua cabeça contra a parede e diz: ‘Quantas vezes mais vou poder renascer! ‘, e então você se emociona com ele. Eu não sei como um diretor consegue realizar uma coisa dessas”.

PALÍNDROMOS - (Sem classificação: sexo, violência, linguagem) Estrelando: Ellen Barkin, Debra Monk, Jennifer Jason Leigh, Sharon Wilkins, Stephen Adly Guirgis. Diretor: Todd Solondz. Duração: 1h40. Resumindo: Mais um ataque incomum contra os valores da classe média perpetrado pelo diretor de “Histórias Proibidas”. O que o torna ainda mais diferente do que de costume é o fato de seis atrizes diferentes e um menino encarnarem a sua jovem heroína.

Cinema | Comentario | 22.08.2007 19:31

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‘Os Simpsons’ matam público de tédio lentamente

Alguém por favor, me ajude a conter toda essa minha crescente excitação. Sim, por favor meus caros, eu mal posso esperar. Neste mês, estamos sendo submetidos a vários novos e brilhantes episódios de “Os Simpsons”. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Fox.

Iupe! As risadas continuarão vindo.

Sabe, o chato no texto escrito é que vocês não podem ouvir minha voz monótona, nem meu absoluto sarcasmo enquanto escrevo sobre aquele que é possivelmente o mais monótono desenho animado exibido no horário nobre esses dias.

“Os Simpsons” é um amontoado de míseras e reles baboseiras.

Deus do Céu, a única coisa mais surpreendente que essa surrada bobeira ainda estar no ar é que as pessoas ainda assistem ao programa.

Mas entendam uma coisa, o mais difícil foi me dar permissão para parar de assistir ao programa. “Os Simpsons” foram uma das poucas coisas que eu já assisti regularmente na TV.

Com o passar dos anos e com os programas na TV a cabo, e também nas principais redes (americanas), passando a ficar cada vez mais engraçados e afiados, “Os Simpsons” foram se arrastando com as mesmas e cansadas vozes imateriais.

O programa agora nada mais é que uma vitrine para convidados especiais. É isso aí, não há nada de engraçado acontecendo. É apenas um veículo para inúteis celebridades de plantão fazerem aparições especiais. A única coisa possivelmente pior que esse programa são episódios antigos do desenho “Futurama”.

Acho que posso observar um padrão por aqui. Ei, Matt Groening! Sua revolução terminou, vocês criadores estão perdidos. Entrem na política ou algo assim, mas –oh, céus, por favor– deixem “Os Simpsons” morrerem em paz, para que a gente possa se lembrar dos bons velhos dias quando o programa realmente era engraçado.

Do jeito que está, é como se estivéssemos assistindo à versão em desenho animado do fim da aposentadoria de Michael Jordan, com ele jogando pelos Wizards.

Até mesmo as primeiras vozes da série estão saindo da linha. Não é que o elenco do programa recentemente entrou numa “ego trip” exigindo mais alguns milhões simplesmente para continuar dublando?

Eu sei que estou perturbando muitos de vocês agora com o que eu estou dizendo, mas não há salvação. O show está muito ruim! Esse mês, será que os seis novos episódios realmente trarão algo de novo? Hmm, não!

O “marcante” episódio número 350 foi estrelado por quem? É isso mesmo, os convidados especiais foram Stephen Hawking e Ray Romano.

No dia 15 de maio (nos EUA), prepare-se para Jason Bateman.

Caramba! Eu disse Jason Bateman! Matt, será que você ainda sabe o que faz as pessoas rirem? Você está nos enchendo com Hawking, Romano, “American Idiot” (quero dizer “American Idol”) e com o garoto da série “Valerie”!

Com exceção da menção à “Arrested Development”, tudo isso é muito triste, Matt.

Eu sempre lembrarei os bons velhos tempos de “Os Simpsons”. O programa me divertia muito quando eu era jovem. Foi o pioneiro no humor besteirol mais pesado no horário nobre.

O negócio é o seguinte –os garotos que cresceram assistindo a “Os Simpsons” amadureceram. E eles estão por aí fazendo programas de televisão por conta própria, e fazendo programas melhores que “Os Simpsons” já foram.

Na verdade, os caras que produzem material interessante provavelmente estavam mais para “Beavis & Butt-Head” do que para “Os Simpsons”, mas aí já é um assunto totalmente diferente.

Enquanto isso, “Os Simpsons” continuam a produzir exatamente as mesmas histórias.

Homer tem fome, Homer é um idiota, Homer odeia Flanders, Lisa está se debatendo interiormente, Lisa tem um momento de dúvida em relação à fé, Lisa é vegetariana, Lisa está protegendo as árvores, Bart está quebrando alguma coisa, Bart está indo bem, mas parece que fez algo de errado, Bart fez algo de errado que pode ter sido engraçado nos anos 80, Marge está se lamentando, Marge está descobrindo o poder da mulher, Marge segue acreditando em Homer, embora ele esteja fazendo algo estúpido.

Essa lista poderia se prolongar, e iria dar em repetições de quase qualquer episódio de “Os Simpsons” já produzido.

Eu me sinto muito mais livre agora em relação às minhas noites de domingo, agora que eu já não me sinto obrigado a assistir a “Os Simpsons”. Porque, durante um tempo, ver o programa se transformou nisso –numa obrigação.

Eu já o assisto há tanto tempo que não estou bem certo se me autorizaram a parar de assistí-lo. Isso se tornou um hábito. Como muitos de vocês, eu assistia porque é o que eu fazia durante anos e não sabia de nada melhor.

Eu não fazia idéia da razão pela qual todo domingo à noite eu sentia uma pontada atrás da cabeça –como se fosse uma mula me atingindo no pescoço– era porque “Os Simpsons” estavam me matando lentamente de tédio.

Falando sério, “Os Simpsons” são o que a turma de 40 anos assiste para tentar se relacionar com seus adolescentes em casa. É triste, muito triste.

Vocês fiéis amigos dos “Simpsons” por aí, façam a vocês mesmos um favor. No domingo à noite, quando o programa for ao ar, desligue. Vão ler algum velho gibi do Bloom County ou então tocar fogo no formigueiro ou contra seus dedos –alguma coisa.

Cinema | Comentario | 22.08.2007 19:27

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